O medo da violência alterou a rotina de 57% dos brasileiros no último ano e tem impacto a vida de muito mais mulheres do que homens brasileiros. Segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta semana, 41% das mulheres deixaram de sair à noite no último ano por medo da criminalidade. O percentual é menor entre os nomes, de 30%.
O levantamento mostra ainda que as mulheres relatam níveis de insegurança muito maiores do que os homens em praticamente todos os cenários analisados. No geral, 96% dos entrevistados disseram ter medo de pelo menos uma situação de violência. Entre os principais receios estão cair em golpes digitais, ser roubado à mão armada, morrer durante um assalto ou ter o celular furtado.
Brasil registra recorde de feminicídios no 1º trimestre, com alta de 7,5%
Mas os números entre as mulheres chamam atenção. Além das que deixaram de sair à noite, 38% afirmaram que evitaram andar com o celular na rua por medo de assalto.
Entre os homens, os percentuais foram menores: 29% deixaram de sair à noite e 28% deixaram o celular em casa.
Segundo o levantamento, as mulheres também demonstram mais medo em situações como agressão sexual, bala perdida, invasão de residência e assaltos na rua. Mais de 82% delas disseram ter receio de sofrer violência sexual.
Os dados aparecem em um momento de crescimento dos casos de feminicídio no país. Segundo o Ministério da Justiça, o Brasil registrou 399 feminicídios entre janeiro e março deste ano. É o maior número para um primeiro trimestre desde o início da série histórica. O aumento foi de 7,5% em relação ao mesmo período do ano passado.
São Paulo teve o maior número absoluto de vítimas: 86 mulheres mortas. No interior paulista, o crescimento foi de 41%. Diante do aumento da violência, o governo paulista anunciou novas medidas. Entre elas, a criação de salas da Delegacia da Mulher em plantões policiais e ações itinerantes de acolhimento para vítimas de violência doméstica.
A pesquisa “Os gatilhos da insegurança” foi encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
O Datafolha ouviu presencialmente 2.004 mil pessoas com mais de 16 anos em 137 municípios do país.




