Os brasileiros que receberam a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan nos últimos 21 dias devem procurar acompanhamento em uma unidade de saúde. Esses, precisam ficar atentos ao surgimento de sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, tontura, sangramentos espontâneos, sonolência excessiva, irritabilidade, sinais de desidratação e piora do estado geral.
A orientação foi reforçada pelo Ministério da Saúde após a suspensão temporária da vacinação com o imunizante, anunciada nesta segunda-feira (8). Segundo o diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, a medida é preventiva e as pessoas já vacinadas continuam protegidas contra os quatro sorotipos da dengue.
“Quem recebeu a vacina segue protegido contra os quatro sorotipos da dengue. As orientações permanecem as mesmas repassadas no momento da imunização, mas, durante os 21 dias após a aplicação, é importante observar o surgimento de sinais e sintomas”, afirmou.
Entenda a suspensão
A suspensão foi adotada após o registro de três casos graves entre aproximadamente 500 mil pessoas vacinadas em todo o país. Dois desses pacientes morreram. Segundo o Ministério da Saúde, ainda não há comprovação de que os eventos estejam relacionados à vacina.
“Até este momento, nas investigações já realizadas pelos sistemas municipais e estaduais de vigilância, e ouvindo os especialistas, não existem dados suficientes para estabelecer uma relação de causalidade entre a vacina e a ocorrência desses três casos graves. Mas trata-se de um sinal de alerta que nos recomenda a interrupção temporária da atual estratégia de vacinação”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
De acordo com a pasta, foram registradas 3.703 notificações de sintomas semelhantes aos da dengue, o equivalente a 0,7% dos vacinados. Desses casos, 42 apresentaram sinais de alarme, como dor abdominal, vômitos persistentes e sangramentos. Três evoluíram para quadros considerados graves.
Com a suspensão, estados e municípios devem interromper imediatamente a aplicação das doses, mas manter os imunizantes armazenados adequadamente enquanto a investigação prossegue. O governo federal também passará a monitorar casos de dengue, pacientes com sinais de alarme e mortes suspeitas entre pessoas vacinadas recentemente.
O que se sabe sobre a vacina
Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a vacina é a primeira do mundo contra a dengue aplicada em dose única e a primeira totalmente produzida no Brasil. Antes da liberação, o imunizante foi testado em cerca de 16 mil voluntários acompanhados por cinco anos.
Os estudos apontaram eficácia global de 79,6% e proteção de 89% contra formas graves da doença. As reações que motivaram a suspensão não haviam sido observadas durante os testes clínicos.
A vacina vinha sendo aplicada em larga escala nos municípios de Botucatu (SP), Nova Lima (MG) e Maranguape (CE). Também havia sido enviada para Araguaína (TO) diante do aumento de casos de dengue na região, além de estar disponível para profissionais da atenção primária à saúde em todo o país.
O Ministério da Saúde ressaltou que a suspensão envolve exclusivamente a vacina do Instituto Butantan e não afeta a Qdenga, imunizante produzido pela farmacêutica japonesa Takeda, que possui estudos, registro e estratégia de aplicação diferentes.
O que diz o Butantan
Em nota, o Instituto Butantan afirmou que a suspensão segue uma orientação preventiva do Ministério da Saúde e da Anvisa para reavaliar a estratégia de vacinação. O instituto destacou que ainda não há confirmação de relação entre a vacina e os casos graves investigados e reiterou que continuará colaborando com as autoridades sanitárias, fornecendo dados, realizando novos estudos e acompanhando os vacinados para avaliar a segurança do imunizante.




